Tags

, ,

Socorro, Drummond!

No meio do caminho
tinha uma rocha.
Tinha uma pedra
no meio do caminho.
Gritei,
não me ouviu.
A voz ecoou
pelo Centro-Oeste,
Norte,
Nordeste,
Sul,
Sudeste,
até em Itabira
ela chegou.
Peguei a trincha
e, com precisão,
lascas tirei.
Excluí o que não era menina,
e no lugar dos olhos,
diamantes eu vi…
Mas como?
Não era nem de carvão
o que estava
em minha mão!
No meio da pedra,
Tinha uma flor
protegida.
Onde está o caminho
em direção à vida?
O poeta se arranhou,
se machucou,
sangrou.
Como um menino,
novamente se emocionou.
Aprendeu técnicas ,
voltou para a Grécia,
Filosofia estudou.
Seria arte de Afrodite?
Hipnotizado pela obra,
o pseudo escultor
paralisou,
Como se enfeitiçado
pela Medusa,
o desejo,
de em pedra
se transformar,
o inundou.
O tempo passou,
as intempéries
à pedra lapidou.
A obra paralisou,
ao contrário do tempo
do pseudo-atrevido escultor,
que ali se perpetuou,
admirando a obra
inacabada,
que o outro poeta
não ajudou.
Tinham duas pedras
No meio do caminho…

(Francisco Teodorico)

Anúncios