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Eram dois irmãos que a vida levou para direções diferentes.

Vinte anos depois se encontram, sendo que um deles tornou-se um ator de renome e outro, um padre que já tinha sua paróquia.

Em sua turnê pela cidade do padre, os irmãos se convidaram mutuamente para conhecerem um ao trabalho do outro:

-Bem, agora eu estou aqui na sua cidade, sexta-feira nós temos a apresentação da nossa peça. Você esta convidado a ir.

E o padre disse:

-Tudo bem, e ai no sábado você vai me visitar, na missa das 19 horas que é a principal missa da paróquia.

Então os irmãos combinaram de um ver ao outro atuar. Na sexta-feira o padre foi para o teatro. Quase não entrou, se não fosse a ajuda de um paroquiano que lhe emprestou um cheque. Pagar aquela fortuna para entrar no teatro era um absurdo, mas era o irmão dele…

Comprou o ingresso.

Quando ele entrou, já havia algumas moças na recepção. Teatro muito bonito, ar-condicionado, cadeiras de veludo azul, um tapete vermelho. A moça perguntou qual era o número da cadeira. Ele nem sabia que era numerada. Levou ele até a cadeira, arrumadinha esperando-o. Sentou confortavelmente. Uma música suave.

De-repente, abriu a cortina, era o diretor da peça. Saudou cada um e disse que daqui 15 minutos começa a nossa peça.

Essa peça teatral é representada pelo querido ator ( falou o nome do irmão dele ).
Ela foi escrita por Mário Lago e José Vanderlei. O Cenário é da coreógrafa Fulana de Tal. Engenheiro de som, engenheiro de luz, falou de toda equipe. Entregou pra ele um folheto bonito, com fotografia do ator, biografia de todos na peça. Explicando que a peça será em três atos.

Tudo bacana. Ficou impressionado. O valor foi bem pago!

Quando começou a peça, às 20 horas em ponto, abriram as cortinas, aquele silêncio. Ninguém andando, ninguém sussurrando, silêncio total. E começou a peça, e a cada ato todos aplaudiam.

E foi ficando impressionado com o irmão, que criado com ele, se tornou um ator tão bom.

Quando terminou a peça ,duas horas depois, 22 horas, o povo aplaudia, vibrava. E quando foi no camarim dar um abraço no irmão, teve que pegar uma fila.
Tantas pessoas queriam abraçar o ator, e o padre cada vez mais impressionado. Foi embora, chegou em casa meia-noite.

No dia seguinte, o irmão foi visitar o padre, acostumado com teatro chegou na igreja 1 hora antes. Não tinha ninguém. Entrou na igreja,e ficou lendo os nomes das pessoas escritos nos bancos. Daqui a pouco deve começar a chegar as pessoas.

Tava quase na hora, ligaram o som, deu microfonia. O rapaz vai lá na frente e fala:

– Alô, Jesus, Jesus, alô, som, amém, amém, Jesus, amém.

Daqui a pouco vai uma senhora la na frente e começa a ler nome de defuntos.

– Alma do Fulano, Alma do Ciclano.

O ator pensou: “Que será que aconteceu?”

Baterem um sino, e começaram a cantar.

-Com minha Mãe estarei, na Santa Glória um dia, ao lado de Maria…

E o padre começou:

– Em nome do Pai, do Filho e do Espirito Santo…

E o ator não entendia nada.

Enquanto o padre fazia o sermão, tinha criança correndo pra lá, pra cá. Tinha uma senhora do lado dele que levou um pacote de batata-frita pro menininho dela comer. Enquanto outro chorava, mascava chiclete e pendurava no banco da igreja. E a mãe não falava nada.

E ele firme, pois foi lá pra ver seu irmão.

Quando terminou a missa, o padre falou: “Vão em paz e que o Senhor vos alcance”, porque tinha gente lá longe.

O ator foi na sacristia , chegou lá estava o padre e o sacristão. Contando o dinheiro da coleta. R$ 27,80. Precisava mais diversas missas pra pagar a entrada do teatro. O sacristão foi embora, padre tirou a batina e começaram a conversar.

– É Mano, veja como o mundo ta perdido… Ontem lá no teatro aquela fortuna para entrar. Aqui uma vez achamos uma nota alta na coleta, mas era falsa. A coleta deu 27 reais. No teatro 2 horas de peça e o povo fica em silêncio. E ninguém chega atrasado. Como é que houve essa inversão de valores. As pessoas estão perdidas.

Ai o ator falou:

– Mano, eu acho que talvez o problema não esteja nas pessoas e sim em você. Na sua equipe. Lá no teatro nós temos uma equipe que pensa em tudo. Cenário, luz, som, segurança, divulgação, a gente ensaia muitas e muitas vezes. E pelo que eu vi, vocês vão tudo na base do improviso. Tá certo que no teatro nos temos uma mentira ,que é a peça, mas agente a passa como se fosse uma verdade. E você que diz que tem a Verdade e apresenta essa Verdade como se fosse uma mentira. Como você quer que as pessoas acreditem nisso? Você diz que Jesus Cristo que tem palavras de vida eterna e não tem poder de mudar a sua vida.

Isso é como vivemos nossa vida.
Trocamos as verdades pelas mentiras.
Damos ouvidos as palavras do mundo.
E deixamos a mentira tomar conta da nossa vida.
E queremos adaptar o evangelho ao nosso jeito de viver.

(by Padre Léo)

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