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É longo, mas vale a pena.

Quando em 2005 os cardeais se reuniram para realizar o conclave, a imprensa e os entendidos nos assuntos do Vaticano já diziam que a Igreja poderia tomar alguma atitude buscando “reverter as perdas de fiéis” para algumas seitas protestantes ou mesmo para o agnosticismo.

A escolha do cardeal Joseph Ratzinger como o Papa Bento XVI frustrou essas expectativas. Acadêmico brilhante, pessoa introspectiva, prefeito durante décadas da Congregação para a Doutrina da Fé, de onde ajudou a enterrar a teologia da libertação, aberração marxista que tentou se infiltrar na Igreja, o prelado alemão não possuía o perfil progressista que muitos esperavam que a milenar instituição buscaria.

João Paulo II foi um Papa extremamente popular. Era uma pessoa de mídia, de multidões, hábil comunicador e figura simpática que encantava muita gente, mas doutrinariamente foi um linha dura. Anti-comunista (polonês, sabia o horror que representava o regime), tradicionalista, comandou a instituição com mão de ferro.

Durante seu papado nenhuma das questões caras à nata esquerdista mundial foram sequer tocadas. Ordenamento de mulheres, “casamento” entre pessoas do mesmo sexo, aborto, o fim do celibato, entre outras.

E a despeito de sua popularidade, a sangria de fiéis em bolsões de miséria como as periferias do Brasil continuava. O protestantismo pentecostal e sua “teologia da prosperidade”, seus sincretismos (a universal realiza até “sessões de descarrego”) e a oferta de respostas simples para problemas complexos conquistavam as pessoas que buscavam auxílio e conforto.

Bento XVI definitivamente não era a “resposta” que muitos esperavam. Trouxe de volta várias tradições abandonadas (o uso de vestimentas papais como o camauro e os sapatos vermelhos foram apenas algumas delas), estimulou o retorno das Missas em latim. Assim alegrou os conservadores que desejavam uma Igreja mais à moda antiga.

O pensamento do então Pastor Universal parecia ser o seguinte: não é a Igreja que precisa se adequar ao seu rebanho, mas o rebanho que precisa se adequar à Igreja.

Veio a sua renúncia e a escolha do cardeal Jorge Mario Bergoglio como o Papa Francisco. Um jesuíta (organização que por sua disciplina é o mais próximo de um exército que existe dentro da Igreja), argentino e que mal era lembrado entre os “papáveis”.

Chegou e surpreendeu a todos com sua simplicidade. Voltou ao hotel para pagar a própria conta, andou de ônibus junto com os cardeais que tinham acabado de elegê-lo, tirou “selfies” com fiéis na Basílica de São Pedro, andou pelo Rio de Janeiro com a janela do carro aberta, enfim, um Papa com o tal “apelo” que tanto pediam.

Foi até capa da Rolling Stone, onde a comparação com o antecessor fez o Vaticano chamar a reportagem de “grosseira”, por tamanhas injustiças que cometeu com o Papa Emérito.

O Pontifex Maximus fez declarações que soaram como favoráveis a uma maior “abertura” da Igreja, mas o que ocorre é que as pessoas, principalmente as não-católicas, estão ouvindo o que querem e fingindo não ouvir o que os desagrada.

Quando diz que o celibato não é um dogma, ele apenas expõe um fato: o celibato não é um dogma. Isso não quer dizer que ele vá permitir que padres se casem. Quando ele diz “quem sou eu para julgar?” quando o perguntam sobre homossexuais e isso vira notícia, as manchetes esquecem que na mesma conversa ao ser indagado sobre a sua posição acerca do “casamento” entre pessoas do mesmo sexo, sua resposta foi “a minha posição é a posição da Igreja, eu sou um filho da Igreja”.

Claro que um papado é estilo. Um Papa diz muito sobre si e sobre a forma como conduzirá a Barca de Pedro através de seus gestos. O saneamento no Instituto para as Obras de Religião, o Banco do Vaticano, e sua disposição de enfrentar escândalos de frente são a maior prova disso.

Mas o Pontifex Emeritus expulsou 400 padres da Igreja em apenas dois anos, o que demonstra que, ainda que mais silenciosamente, também estava agindo.

O que quis dizer com tudo isso é que os não-católicos encaram questões da Igreja como “perda e recuperação” de fiéis, como se fosse uma questão mercadológica, uma empresa em busca de clientes e nada pode estar mais errado.

A Igreja é como ela é. Se tiver 1 bilhão de fiéis ou 100 milhões, serão 100 milhões os que estarão no caminho da salvação de acordo com suas regras. Os que não são católicos não se importam com isso e portanto não têm com o que se preocupar.

Não existem conversões forçadas, nenhum padre fica com um gancho na porta da Igreja puxando as pessoas ali para dentro à força, quem não acredita em Deus, quem não acredita que a Igreja Católica é o caminho para Deus, deve simplesmente ser indiferente à instituição. Não é problema seu.

Se existem na sociedade movimentos comunistas, feministas, gays, etc, etc, defendendo seus pontos de vista, nada mais justo que uma instituição milenar e que representa milhões de pessoas também faça o mesmo, portanto essa história de “não falo da Igreja desde que ela não se meta na minha vida” é furada, porque todos se metem na vida de todos, pelo menos enquanto estiverem por aqui neste planeta.

Quando não estiverem mais, bem, aí é problema de cada um. Conheço muita gente que não frequenta nenhuma igreja e que certamente será recebida de braços abertos na morada do Senhor, ainda que nem se importe com isso, pois sua vida é testemunho do que melhor agrada à Ele.

Mas para quem se interessar por um caminho que seja Católico, Apostólico, Romano, existe um lugar apropriado para isso, que é a Igreja que Jesus delegou a Pedro, que foi sucessivamente delegada até chegar a Francisco.

É você, se quiser, que precisa da Igreja, e não o contrário.

(Texto reproduzido do perfil de Marcus Vinicius Motta, em rede social)

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