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LIVRO DA VIDA
(Ira e Hélio Marchioni)

Encerrou-se mais um ano em sua vida… Quando este ano começou ele era todo seu. Foi colocado em suas mãos, podia fazer dele o que quisesse, era como um livro em branco e nele você podia ter escrito um poema, um pesadelo, uma blasfêmia ou uma oração.

Podia… Hoje já não pode mais, já não é seu. É um livro já escrito, concluído. Como um livro que tivesse sido escrito por você, ele um dia lhe será lido como todos os detalhes e não poderá corrigi-lo. Está fora de seu alcance. Portanto, antes que termine este ano, reflita, tome seu velho livro e folheie com cuidado…

Deixe passar cada uma das páginas pelas mãos e pela consciência; faça o exercício de ler a você mesmo. Leia tudo, aprecie aquelas páginas de sua vida em que usou seu melhor estilo. Leia também as páginas que gostaria de nunca ter escrito. Não! Não tente arrancá-las, seria inútil, já estão escritas. Mas você pode lê-las enquanto escreve o novo livro que lhe foi entregue, assim poderá repetir as boas coisas que escreveu e evitar repetir as ruins.

Para escrever seu novo livro, você contará novamente com o seu instrumento do livre arbítrio e terá para preencher toda a imensa superfície do mundo.

Se tiver vontade de beijar seu velho livro, beije. Se tiver vontade de chorar, chore sobre ele e a seguir coloque-o nas mãos de Deus. Não importa como esteja… Ainda que tenha páginas negras, entregue e diga apenas duas palavras: obrigado e perdão!

E, quando o ano novo chegou, lhe foi entregue outro livro, novo, branco, limpo, todo seu, no qual irá escrever tudo o que desejar.

(Fonte: jornal “E a família, como vai?”, Ribeirão Preto – SP, Ano III, nº 24, p. 3)

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