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AS DEZ LEIS DAS FRONTEIRAS
(Carlos Barcelos)

De vez em quando me perguntam qual é o segredo de um casamento bem sucedido. Eu mesmo tenho curiosidade a respeito e estou sempre atento para entender melhor essa relação tão significativa para todos nós.

Nessa constante busca por compreensão, aprendi algumas coisas que quero partilhar com vocês.

A realidade do casamento é regida por 10 leis que determinam as fronteiras. E elas estão presentes em todo casamento, quer as reconheçamos ou não. A decisão de viver segundo elas ou se rebelar contra elas determinará o curso de um casamento.

1. A Lei da Semeadura e da Colheita

Qualquer escolha ou ação tem conseqüências tanto para o indivíduo como para os que estão à sua volta. Permitir que o parceiro colha as conseqüências de suas ações é uma forma amorosa de trazer crescimento para a relação. Recusar-se a resgatar seu parceiro – como, por exemplo, recusar-se a alegrá-lo quando ele está emburrado, ou sacrificando-se para pagar seu cartão de crédito, ou telefonar para seu chefe dizendo que está doente quando está de ressaca pela noite anterior – ajuda a manter o problema com ele. O parceiro que gerou o problema deve enfrentar as conseqüências de suas escolhas.

2. A Lei da Responsabilidade

Nós somos responsáveis uns aos outros, mas não responsáveis pelos outros. Cada um precisa considerar os efeitos que suas ações têm sobre o outro parceiro. Nós cometemos um erro perigoso – e perpetuamos o problema – quando assumimos a responsabilidade pelo comportamento imaturo e inadequado de nosso cônjuge.

3. A Lei do Poder

Não temos poder sobre as atitudes e ações dos outros. Não temos poder para mudar nosso parceiro. O único poder que temos é o de confessar nossos próprios erros, depositá-los diante de Deus e pedir-lhe que nos capacite a superá-los. Muitas vezes, por não entendermos a natureza das fronteiras, queremos usá-las para afirmar nosso poder sobre nosso cônjuge. Mas isso não funciona.

4. A Lei do Respeito

É necessário respeitar os limites e fronteiras de outros se queremos que outros respeitem os nossos. Respeitar e validar as fronteiras de nosso parceiro é dar-lhe a liberdade para nos amar como Deus deseja que nos amem. Nós devemos ser livres para dizer não antes de podermos dizer sim de todo coração…

5. A Lei da Motivação

Ninguém pode amar o outro realmente se não tem a escolha de não fazê-lo. Aliás, a única prova concreta de que nosso parceiro nos ama é a possibilidade dele nos dizer que não nos ama. Se ele tem essa liberdade e nos diz que nos ama é porque realmente nos ama. Se o amor é para ser oferecido livremente, ele não pode ser coagido. Seja vulnerável com seu cônjuge e dê a ele tempo e amor. Isso garantirá que suas escolhas são baseadas em seus valores compartilhados e não no medo.

6. A Lei da Avaliação

O prazer e a dor, em si mesmos, não são bons indicadores do estado do casamento. Alguma dor é necessária como um sintoma de crescimento. Estabelecer fronteiras pode resultar em sofrimento. Se o sofrimento não conduzir a ferimentos, provavelmente é o tipo de dor que levará ao crescimento. Aceitar e até mesmo abraçar a dor do crescimento é um passo que ajudará a construir casamentos sólidos.

7. A Lei da Proatividade

Nós devemos ser proativos (que visa antecipar futuros problemas, necessidades ou mudanças) na solução de problemas baseados em nossos valores, desejos e necessidades. Todo casamento terá algumas fronteiras que foram estabelecidas como uma reação a problemas que surgiram, mas fronteiras reativas são insuficientes para o crescimento. Fronteiras reativas devem ser substituídas por fronteiras proativas estabelecidas com o propósito de cultivar o amor, a liberdade e a responsabilidade.

8. A Lei da Inveja

A inveja é o obstáculo número um para o estabelecimento de fronteiras no casamento. Ela é o foco auto consumidor no que o outro tem, associado com ressentimento contra aquela pessoa por ter o que nós não temos. A inveja é horrível e miserável porque nos sentimos insatisfeitos com nosso estado e somos impotentes para mudá-lo. Inveja não deve ser confundida com desejo que nos motiva a tomar atitudes porque queremos alguma coisa. O desejo foca nossa atenção na preservação do que é bom e do que há de valor em nós. A inveja quer destruir o outro para que ele não tenha o que não temos.

9. A Lei da Atividade

Esta é a lei que nos impulsiona a sermos ativos em aprender e estabelecer fronteiras. Pessoas ativas cometem muitos erros e as sábias aprendem com eles. Pessoas passivas têm dificuldade em aprender porque têm medo de correr riscos. Como resultado, sofrem porque não assumem suas vidas e não conseguem construir as fronteiras que precisam. Devemos sempre ter a disposição de dar o primeiro passo em direção à mudança. Não espere que seu cônjuge mude primeiro.

10. A Lei da Exposição

É a lei que determina que comuniquemos nossas fronteiras um ao outro, sempre. Falhar nisso evita que a verdadeira intimidade se desenvolva no casamento. Uma fronteira que não é comunicada é uma fronteira que não funcionará.

Estabeleça fronteiras para si mesmo

Freqüentemente, quando problemas surgem em um relacionamento, enfrentamos a tentação de culpar nosso cônjuge. Mas tal atitude é uma enorme e inútil simplificação do problema real. Mas quando decidimos parar de culpar nosso parceiro e assumimos o problema como nosso, então poderemos fazer as mudanças necessárias. Nós somos responsáveis por metade de nossos casamentos e por toda a nossa alma.

É raro que um problema em um casamento seja totalmente falha de um só cônjuge. Usualmente, ambos, o marido e a mulher têm responsabilidade pela dificuldade. Conseqüentemente o parceiro “inocente” precisa considerar qual é a parte que ele ou ela tem no problema. Então ele ou ela deve assumir um papel ativo em encontrar uma solução. O cônjuge “inocente” deve resistir à tentação de ficar preso no problema do outro parceiro, de se sentir vitimizado pelo relacionamento ou se tornar crítico do cônjuge.

Freqüentemente nos sentimos tentados a crer que nossa principal tarefa é corrigir ou controlar o cônjuge. Mas o plano de Deus para o casamento depende do compromisso de cada parceiro de submeter-se a Ele e a Seus princípios. Cada parceiro deve estar preocupado em corrigir suas próprias falhas e não as de seu cônjuge.

Estabelecer fronteiras para seus próprios defeitos de caráter é algo amoroso a ser feito para seu cônjuge, uma vez que isso cria um ambiente no qual seu cônjuge está livre para amadurecer. À medida que você cresce no relacionamento com Deus, você será mais atencioso e apoiador em relação a seu cônjuge encorajando-o com seu amor.

(Fonte: jornal “E a família, como vai?”, Ribeirão Preto-SP, Ano III, nº 25, p. 13)

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