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Foi numa penumbra da adolescência que te criei.

A caneta deslizou sobre o papel e foste surgindo naturalmente, como uma escultura, aos poucos lapidada.

Primeiro teu coração, límpido, belo e precioso como um diamante, pequenino e puro, de uma menina, repleto de bondade, alegria, paz e amor.

Com a esperança e o sorriso da criança fiz seus olhos, os únicos no mundo que sorriam, e cujo brilho iluminavam minha caminhada para a aprendizagem.

Com o perfume das flores, a cor do ouro e a leveza da brisa, teu cabelo esculpi, naturais, angelicais.

Em conexão com o coração, seus lábios vermelhos e doces como a fruta do pecado, que foi perdoado diante de tamanho amor.

Um passarinho raro que vive na floresta Fantasia compartilhou contigo a voz que é música que me conforta nos momentos de solidão.

Nevou, e com sua suavidade fiz tuas mãos e braços tão longos quanto tua vontade de acolher os que precisam de conforto fraternal.

Em teu colo, macio como a areia da praia deserta, colocaria minha cabeça nos momentos de carência, enquanto me fizesses carinho.

E lá estava você, menina mulher, de olhos cor de esperança, cabelos cor de ouro, um sonho …

Sonho…

Um dia resolvi procura-la para que fizesse parte da minha realidade. Saí pelo mundo, subi montanhas, cruzei planícies, mergulhei nos mares, atravessei rios, perdi-me em cavernas escuras durante anos.

Não a encontrei.

Então percebi que havia perdido a chama da esperança em algum lugar. O cansaço venceu-me.

Voltei ao meu cantinho. Irado destruí tua imagem, chorei, gritei, me desesperei, tombei no chão, exausto, frio.

Adormeci. Não sonhei.

Até que acordei após algumas primaveras com alguém batendo a porta.

Então recebi de volta o coração que havia perdido em minha amarga aventura.

Ergui a cabeça gradativamente e pude novamente sorrir ao ver diante de mim aquele sorriso no olhar de cor de esperança, cabelos cor de ouro, …

Francisco Teodorico

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